Passione CIV, Paolinelli: “Meus pais nem dirigem scooters!”

Os telemetristas desempenham um papel fundamental dentro de uma equipe. Desde a aquisição dos dados registados pela moto, passando pela análise de informações fundamentais para levar o piloto ao melhor resultado possível, até à capacidade de gerir momentos aparentemente óbvios, mas na verdade bastante frenéticos. Aproveite os momentos antes do início de uma corrida. Laptop debaixo do braço e lá vamos nós, da garagem para o grid de largada para esperar o piloto se alinhar na vaga conquistada na qualificação. Nos minutos (contados) antes da volta de aquecimento, os dados da volta de alinhamento são descarregados, a unidade de controlo é verificada para garantir que não declara uma falha e, se necessário, os mapas predefinidos na garagem podem até ser modificados. Sara Paolinelli, uma das figuras-chave da altamente condecorada AC Racing Team, uma equipa capaz de ostentar profusos sucessos nos vários campeonatos italianos e não italianos, sabe algo sobre isto. Dos Minimotos aos MiniGPs, passando pelo CIV, European Talent Cup e FIM Junior GP World Championship.

A história de Sara Paolinelli

Formada em engenharia mecânica pela Alma Mater Studiorum de Bolonha, Sara aproximou-se da pista com um mestrado. Depois das primeiras colaborações com a equipe Full Moto e ninguém menos que a Gresini Racing Team, sua próxima mudança para a Magneti Marelli abriu as portas de uma importante empresa do setor automotivo. Onde ainda hoje atua como Gerente de Projetos de Motores. Ao longo destes anos, no entanto, a sua paixão pelo motociclismo nunca desapareceu. A nativa de Fano ainda passa muitos de seus fins de semana no circuito como telemetrista da AC Racing Team após o Campeonato Italiano de Velocidade.

O amor pelas corridas

“E pensar que meus pais nem andam de scooter! Eu, por outro lado, era fascinado por corridas e apaixonado por mecânica – Sara Paolinelli disse à revista Motitalia – Queria entrar nesse mundo, graças ao mestrado tive oportunidade. Hoje vivo em contato próximo com a AC Racing Team, somos cerca de quinze pessoas. Nos finais de semana de corrida eu sempre durmo no caminhão com a equipe, nunca encontrei um encerramento para mim mesma como mulher.”.

O movimento feminino no motociclismo

Apesar da introdução de campeonatos dedicados (nacionais, europeus e, a partir de 2024, também mundiais), no motociclismo é pouco comum já nos depararmos com figuras femininas como piloto. Muito menos na de um telemetrista: “Trabalho no setor automóvel há dez anos, estou mais habituado a colaborar com homens do que com mulheres. Infelizmente, as percentagens falam por si, tanto do lado técnico como desportivo… ainda são poucas as raparigas que se aproximam deste mundo”.

Due donne nell’AC Racing Team

Serão ainda em número limitado, mas entretanto a AC Racing Team regista a presença de duas mulheres nas suas fileiras. Quão pequeno é o mundo! De um lado a protagonista Sara Paolinelli, do outro está Elisabetta Monti, Talento Azzurro FMI, envolvida no CIV PreMoto3. Sob a supervisão de Sara, a jovem piloto de Lecco enfrentará este ano a segunda temporada na categoria depois da estreia em 2023 com as mesmas cores, condicionada por uma grave lesão.

A ligação com os pilotos e o sonho de Sara Paolinelli

“Para um telemetrista o mais difícil é entender quais são as reais necessidades do piloto. Quem corre numa 600cc já sabe pilotar e por isso pode pensar mais na afinação com diferentes análises e estratégias. Os jovens, por outro lado, devem antes de mais nada aprender a descrever a bicicleta, as suas sensações e as suas necessidades. Nosso trabalho muda muito dependendo das categorias. Você tem que criar os filhos, interpretando-os como se fossem dados. No que me diz respeito, sempre fui fascinado mais por testes do que por corridas, a parte de desenvolvimento atrai-me mais porque é onde se aprende e cresce. Meu sonho? MotoGP, o desejo de uma vida…”. Afinal, mesmo sonhos (aparentemente) impossíveis às vezes se tornam realidade…