A Honda começa de baixo para encontrar o caminho que leva ao pódio, mas o faz com dois jovens talentos excepcionais, Joan Mir e Luca Marini. Parece impossível ver a RC213V passar de seis títulos de MotoGP entre 2013 e 2019 para apenas um triunfo em Grande Prémio nos últimos dois anos (Alex Rins no Texas com LCR). O ex-chefe da equipe, Livio Suppo, analisa as causas desta profunda crise, que pode ser superada com a ajuda de concessões regulatórias.
As origens da crise da Honda no MotoGP
Os problemas da Honda no MotoGP começaram vários anos antes das lesões no braço de Marc Márquez em 2020. O campeão de Cervera teve a capacidade indiscutível de preencher lacunas técnicas e fazer a diferença, depois a lesão em Jerez representou a gota d’água que quebrou as costas do camelo. Já desde a temporada de 2018 os companheiros tiveram dificuldade em conseguir uma vitória com a RC213V, à medida que o tempo passava os engenheiros não conseguiam parar o “coma” que se tornara irreversível. Tanto que a Honda terminou em quinto e último lugar no ranking de construtores de 2023!
Livio Suppo deixou o Golden Wing no final de 2017 dando lugar ao atual técnico da equipe Alberto Puig. As origens dos problemas já podem ser vistas no campeonato seguinte, apesar de Marc Márquez continuar a dominar o Campeonato do Mundo.”Você deve se lembrar que algumas das entrevistas de Cal (Muleta) eles não eram tão bons na bicicleta!“, explicou o dirigente italiano ao Crash.net. “Mas também Dani (Pedrosa) em reuniões técnicas reclamou que a moto estava ficando cada vez mais difícil de pilotar“. Palavras que caíram em ouvidos surdos, pois Márquez continuou a escrever páginas de história para a marca HRC, com nove vitórias em 2018 e doze em 2019.”Um dos erros da Honda foi não ouvir pilotos como Cal e Dani“.
Testador Pedrosa KTM
Enquanto o título de MotoGP esteve firmemente nas mãos de Marc Márquez, os líderes do fabricante japonês permaneceram surdos aos alarmes. “Quando perceberam, o que aconteceu com o acidente de Marc (em 2020), já era tarde“. Não é a única causa da recessão, mas uma combinação de coisas. Quando Pedrosa e Crutchlow se aposentaram no final de 2018 e 2020, respetivamente, foram imediatamente contratados como pilotos de testes… por fábricas rivais. “Ficou claro para todos que Dani tem muita sensibilidade como testador“, continuou Livio Suppo. Tanto é que o piloto espanhol deu um grande contributo para o crescimento da KTM RC16, elevando-a aos actuais grandes níveis.
Foto Box_Repsol