No final de Março de 1974, a atenção dos adeptos do desporto estava largamente concentrada na primeira subida do Bayern de Munique ao topo da Europa. Mas o GP da África do Sul de Fórmula 1 também atraiu muita atenção. A terceira prova do campeonato mundial foi realizada no dia 30 de março daquele ano, que coincidentemente aconteceu num sábado como este horário. É um GP que entrou para a história, porque registou o primeiro sucesso de Carlos Reutemann na Fórmula 1. Foi também o regresso ao sucesso do piloto argentino. Hoje marca exatamente cinquenta anos desde aquela corrida. Naquela temporada o Campeonato Mundial foi vencido por Emerson Fittipaldi com a McLaren. Mas voltemos àquele dia do final de março no circuito de Kyalami.
A chegada da Fórmula 1 em solo sul-africano
A prova da África do Sul, como mencionado, foi a terceira do campeonato e veio depois das da Argentina e do Brasil. A Fórmula 1 havia saído da América do Sul para pousar no continente africano. Duas corridas cheias de reviravoltas e que viram Clay Ragazzoni liderar o campeonato com a Ferrari. No campeonato de construtores, porém, o Cavallino ficou atrás apenas da McLaren. Os suíços haviam marcado 10 pontos até então sem nunca vencer. A consistência o recompensou. Clay chegou lá graças a dois pódios, seguido por Fittipaldi e Denny Hulme um ponto atrás dele. Carlos Reutemann, por outro lado, não marcou nenhum ponto nas duas primeiras partidas da temporada.
O piloto argentino junto com seu Brabham parecia estar em apuros, tendo ainda chegado à linha de chegada na sétima posição. O BT44 com motor Ford-Cosworth parecia ficar aquém da concorrência. O fim de semana do GP da África do Sul não começou da melhor forma, tanto que o seu cancelamento foi cogitado. O problema deveu-se à profunda crise petrolífera daqueles anos, que também afetou a Fórmula 1. O combustível era escasso no final de 1973 e por isso os seus preços aumentaram dramaticamente. O fim de semana começou de forma ousada e a qualificação de sexta-feira recompensou Niki Lauda. O austríaco rodou em 1:16.580 na sua Ferrari, enquanto Carlos Reutemann estabeleceu o quarto tempo mais rápido. O desempenho de Niki foi incrível, visto que depois dele até o sexto lugar só havia carros com motor Ford.
A corrida que abriu as portas do triunfo a Carlos Reutemann
O GP de sábado começa forte logo de cara, assim que o semáforo se apaga. Lauda, aliás, faz dupla na primeira curva, nomeadamente o Crowthorne, de Carlos Reutemann e Ragazzoni. Niki defendeu-se com astúcia e habilidade e manteve a primeira posição. Devido à manobra realizada por Lauda, o argentino foi obrigado a alargar, levando Clay a tocar na grama com as duas rodas. Na décima volta, Reutemann aproximou-se do austríaco, ultrapassando-o na recta final. A partir desse momento a corrida segue um traçado pré-estabelecido, registando diversas saídas. Dos 27 pilotos que largaram, apenas 18 chegaram à linha de chegada.
A primeira das duas maiores reviravoltas da corrida ocorreu durante a sexagésima quinta volta. Ragazzoni, que estava em terceiro lugar, foi forçado a abandonar. A Ferrari do piloto suíço teve um problema de pressão do óleo do motor, o que o obrigou a abandonar a prova. Segunda reviravolta durante a septuagésima quinta volta. Lauda tem um problema de injeção com seu 312B3, então os dois carros vermelhos abandonam com dez voltas um do outro. Carlos Reutemann pode assim voar rumo ao seu primeiro triunfo na Fórmula 1, trazendo Brabham de volta ao sucesso após 4 anos. O último sucesso da empresa britânica foi no GP da África do Sul de 1970. Atrás do sul-americano vieram Jean-Pierre Beltoise com a BRM e Mike Hailwood com a McLaren para fechar o pódio. O de Beltoise será o último pódio conquistado na F1 pela BRM.
Carlos Reutemann o último grande argentino
A vitória de Carlos Reutemann foi o fim de uma longa seca para o automobilismo argentino. O último antes dele a vencer na Fórmula 1 foi Juan Manuel Fangio no GP da Alemanha em 1957. Isso há 40 anos foi o primeiro de doze sucessos no campeonato principal. Reutemann vencerá não só com Brabham, mas também com Ferrari e Williams. Em 1981, com a empresa Groove, ele esteve perto do título, terminando em segundo, atrás de Nelson Piquet que dirigia, pense bem, um Brabham. Carlos se aposentou da F1 depois de apenas duas corridas em 1982 devido à Guerra das Malvinas. Um argentino não era bem visto na Inglaterra, então seu caminho se separou da casa britânica. Reutemann foi o último argentino a vencer uma corrida no campeonato principal e até hoje os pilotos daquele país desapareceram. O último argentino foi Gaston Mazzacane em 2001 como piloto pagante da equipe Prost. Alain o expulsou após 4 corridas devido aos seus resultados, o GP de San Marino daquele ano foi a última vez que vimos um argentino no grid. Pensar que há apenas cinquenta anos o automobilismo argentino voltou a sonhar.
FOTO: Fórmula 1 social