Como apontamos nos últimos dias, o fator que está permitindo que a Ducati e Alvaro Bautista dominem o cenário mundial de Superbike é a capacidade de controlar a aderência. Ou seja, ser rápido independente das condições climáticas e temperaturas do asfalto, e com variedade de escolha de compostos e tipos de construção. Os entusiastas falam sobre as rotações do motor, a vantagem garantida pelo peso mosca do piloto e a sofisticação da versão de estrada que custa o dobro na versão de estrada do que a concorrente Yamaha, a Kawasaki. Elementos que têm impacto, é claro, mas o gerenciamento de pneus é ainda mais importante. Isso pode ser visto muito claramente analisando a cronologia de Bautista na segunda sessão de treinos da rodada indonésia.
Um passo incrível
Mandalika é uma pista bonita, mas é muito pouco usada, então toda vez que a Superbike chega os pilotos encontram a trajetória sem os pneus. A primeira volta (45 minutos) foi perdida, a superfície estava tão escorregadia que girou mais de três segundos mais devagar que o recorde. Na segunda, porém, a situação melhorou definitivamente, de modo que os tempos e o ritmo se tornaram bastante indicativos. Álvaro Bautista caiu após apenas quatro voltas, perdendo cerca de quinze minutos entre o retorno aos boxes e pequenos reparos. No resto da sessão foi impressionante. No segundo passagem ele completou dez voltas (as corridas longas contam vinte e uma) com cinco voltas no baixíssimo 1’33”, ou seja, um ritmo inatingível para seus rivais diretos: Rea, Razgatlioglu e companheiro de equipe Rinaldi.
O piloto do computador
Na última saída, com pneus novos, fez três voltas quase idênticas: apenas dois milésimos de segundo entre o mais rápido e o mais lento, uma consistência irreal. Um computador, mais que um piloto, entre outras coisas considerando que a pista não estava em condições ideais, ou seja, bastava sair alguns centímetros da linha ideal para se encontrar em piso sujo. No final do torneio, Rinaldi melhorou em 29 milésimos com uma atuação pontual. Rea, que estava lutando especialmente com a frente, conseguiu sete décimos, enquanto Toprak – que voa aqui – reduziu o déficit para menos de dois décimos.
A revelação de Rinaldi
“Com pouca aderência vamos muito rápido, temos uma clara vantagem sobre os outros” Michael Rinaldi deu a conhecer, afirmando também que com a pista mais emborrachada, no sábado, os dois rivais poderão chegar perto. Pode ser, e será interessante ver. De qualquer forma, verifica-se que a Ducati compensa em condições difíceis. A verdadeira vantagem de Bautista e da Ducati é saber aproveitar ao máximo os pneus Pirelli, que são muito rápidos, mas precisam ser administrados. A eletrônica hipersofisticada que a Ducati desenvolveu é o verdadeiro trunfo. Além disso, não é por acaso que o novo motor da Panigale V4 R não é mais potente do que a versão anterior, mas mais suave em sua entrega, ou seja, mais dirigível e mais gentil com os pneus. A Yamaha e a Kawasaki obviamente sabem onde está a chave, ou seja, o que seria necessário para tentar vencer Bautista e recuperar a Superbike. O difícil é achar…

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