A história da KTM no MotoGP é difícil de interpretar. Não esqueçamos que é um projeto muito jovem comparado a gigantes como Honda ou Yamaha, lembremos também da atual potência excessiva da Ducati, mas a sensação é que ainda não mostrou o seu verdadeiro potencial. Melhor dizendo, não com os seus pilotos oficiais… Basta lembrar acima de tudo Misano, com o piloto de testes Dani Pedrosa que claramente salvou um fim de semana que de outra forma teria sido cancelado. Pouco se pode dizer sobre o GASGAS Tech3, visto que Augusto Fernandez se estreia (e tem um bom desempenho) e Pol Espargaró ainda se recupera de um grave acidente. E se o problema da KTM fosse justamente dos pilotos, então o que faltava para fazer a diferença? Os rumores que ligam Marc Márquez a Mattinghofen não surgiram por acaso…
KTM e fichário
Vejamos o exemplo de Brad Binder, piloto líder do projeto de MotoGP da empresa austríaca. Precisamente com estas cores conquistou o título na Moto3, na Moto2 esteve muito perto… Na categoria rainha, porém, a sensação é de que falta sempre alguma coisa para o salto de qualidade. Binder certamente não é um piloto que chegou lá por acaso, o seu currículo fala por si, mas na classe de topo há uma certa falta de consistência para realmente fazer a diferença. E provavelmente não é sobre a moto se um piloto que se aposentou há anos (mesmo que estejamos falando de um talento chamado Dani Pedrosa) consegue terminar em 4º perto do atual campeão Francesco Bagnaia em ambas as corridas realizadas em Misano.
Mas onde está a KTM?
Pedrosa e Folger acabaram de completar os últimos testes privados em Valência. O RC16 está em constante melhoria, os sinais são muito claros, mas os resultados de peso lutam para chegar. Em 15 GPs disputados, portanto 30 corridas incluindo os Sprints, Binder foi claramente o melhor piloto da KTM, mas conseguiu apenas duas vitórias e outros seis pódios. Um pouco pouco para uma empresa que poderia ser a anti-Ducati, acrescentando assim um rival e mais diversão às corridas de MotoGP. Não é certo que a RC16 tenha realmente atingido o nível da Desmosedici, mas demasiadas variáveis e más corridas não nos permitem fazer um verdadeiro julgamento. Acrescentemos que Jack Miller é um verdadeiro ponto de interrogação: três terceiros lugares na súmula este ano, além de vários outros top 10, mas sem nunca brilhar particularmente.
Erros na Indonésia
Vejamos o GP de Mandalika: no Sprint, Binder não teve culpa, mas foi nocauteado após ultrapassagem desajeitada de Aleix Espargaró, que prontamente pediu desculpas. Mas na corrida longa foi o sul-africano quem fez uma dupla bagunça: uma arriscada tentativa de ultrapassagem repetida duas vezes arruinou a corrida do poleman Marini, depois a de seu ex-companheiro de box Oliveira, além de levar a duas penalidades por voltas longas. “Você merece 100%” foi o próximo comentário de Binder. Porém, outras corridas na súmula sem infâmia mas também sem elogios à KTM, que continua a não rugir de acordo com as expectativas. O que a Ducati está fazendo certamente não deve ser esquecido, mas fica a sensação de que a KTM poderia fazer muito mais do que vimos até agora em 2023. E por isso, ainda falta alguém capaz de mostrar verdadeiramente esse potencial.
Foto: Imagens KTM / Foto de polaridade