A estreia de Marc Márquez aos comandos da Ducati Desmosedici GP terminou em alta no teste de MotoGP em Valência. Algumas voltas foram suficientes para confirmar que ele fez a escolha certa ao deixar a Honda para seguir para o protótipo campeão mundial. No primeiro regresso às boxes tirou o capacete e exibiu um sorriso que diz muito sobre o seu sentimento com a moto e as intenções do fenómeno Cervera. O objetivo é vencer o Mundial e certamente será uma pedra no sapato de todos, até mesmo do atual campeão Francesco Bagnaia.
As primeiras voltas de Marc Márquez com a Ducati
Marc Márquez assumiu a liderança no teste de Irta às 15h21, voltou a estabelecer a volta mais rápida às 15h47 e terminou em quarto a menos de dois décimos da melhor volta de Maverick Vinales, precedido por Brad Binder e Marco Bezzecchi. A terça-feira registou temperaturas mais baixas que os dias do GP de Ricardo Tormo, em Cheste, com um vento que arrefeceu o asfalto e dificultou as manobras das motos, principalmente nas curvas 1 e 13. O ex-piloto da Honda preferiu esperar até às 11: 14 para ir para a pista com a Ducati da equipa Gresini.
As dúvidas do dia anterior
Há grande emoção na garagem da Gresini e no ambiente da Ducati após o dia de testes em Valência. A certeza é que Marc poderá imediatamente ser competitivo na próxima temporada de MotoGP: “Não tivemos dúvidas”, comentou o chefe da equipa Lenovo Ducati Davide Tardozzi. A multicampeã chegou na ponta dos pés à equipa satélite de Nadia Gresini, com o objectivo de se adaptar à moto, depois de só ter pilotado a RC213V. “Por mais que ganhei, venho de 11 anos andando na mesma bicicleta, quatro cirurgias no braço, ossos quebrados e muitas quedas nos últimos anos (29 nesta temporada, o maior em um ano). E dois anos sem vencer uma corrida. Mesmo que você tenha ganhado muito no passado, isso afeta sua confiança“.
Acima de tudo, os últimos dois anos no MotoGP abalaram um pouco a sua confiança, daí a escolha de mudar de protótipo, mesmo ao custo de acabar numa equipa satélite. “Você tem tantas perguntas na cabeça para responder no próximo ano que não receberei uma resposta na terça-feira – disse Marc Márquez na véspera da prova -. Veremos se vai demorar mais ou menos, se vou conseguir me adaptar ou não, mas a equipe humana também será uma grande mudança. Trabalho com pessoas como o Santi (Hernandez) há treze anos e com esse grupo ganhámos sete campeonatos mundiais, mais o de 125cc. Será uma grande mudança…“. Em vez disso, o catalão parece ter-se instalado imediatamente na Desmosedici e na familiar equipa Gresini, onde encontrou uma moto com material totalmente novo para a sua estreia. E assim que entrou na garagem sussurrou longe das câmeras: “Eu quero ganhar a Copa do Mundo“.
4º contra-relógio e boas sensações
Ao seu lado está Frankie Carchedi, chefe de equipe herdado de Fabio Di Giannantonio, as câmeras captam suas primeiras impressões, apesar de ainda ter contrato com a Honda até o final do ano. Um movimento desejado pela Dorna? De qualquer forma, os primeiros comentários são mais que positivos. “A aderência traseira é excelente, mas a dianteira se move muito e não consigo sentir quando estou no limite com a dianteira. Mas a moto me segue“, declarou aos técnicos da Ducati após as primeiras oito voltas. Tal como todos os outros pilotos satélites, ele terá a moto com a qual Johann Zarco terminou a temporada. Foram introduzidas evoluções nos de Bagnaia, Bastianini e Martin que, no entanto, causaram alguns problemas de confiabilidade e desempenho. Marc Márquez só poderá pensar em aproveitar ao máximo a sua versão GP23, forçando e obtendo resultados. As atualizações certamente virão. Resta ter paciência e aguardar o próximo teste em Sepang, de 6 a 8 de fevereiro.
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Foto Sky Sport MotoGP