A Moto2 é uma categoria particular em certos aspectos. Monomotor, único pneu, até ao ano passado contava essencialmente apenas com um fornecedor de suspensões, com construtores de quadros que podiam ser contados nos dedos de uma mão. Ainda assim, a classe preparatória por excelência para o MotoGP inclui a presença direta de marcas como KTM, Honda, Yamaha, CFMOTO, QJMotor se assim o desejar e, à luz dos veredictos de Portimão, sobretudo Fantic. No seu segundo ano (e meio) de participação na série do campeonato mundial, a gloriosa seleção italiana subiu pela segunda vez ao degrau mais alto do pódio e, com Aron Canet, olha com desprezo para todos no campeonato pela primeira vez .
CORRIDA COMO MOSTRA
Poucos sabem que, em 1954, a Honda estava à beira da falência, tanto que solicitou um grande empréstimo ao Banco Mitsubishi junto ao próprio Takeo Fujisawa, braço direito de Soichiro Honda, que hipotecou sua casa. Na empresa atuávamos como verdadeiros equilibristas, mas em 20 de março de 1954 o mesmo “Grande Velho” saiu com a famosa declaração de participação no Isle of Man TT. Um compromisso desportivo que só se concretizou 5 anos depois (1959), mas que naquele momento tinha um duplo propósito. Por um lado, oferecer a garantia aos investidores de que, com um projeto tão ambicioso, a empresa não atravessava um mau momento, por outro, a visão clarividente de que as corridas poderiam representar uma montra para a imagem da marca.
FANTÁSTICO NAS CORRIDAS
A Fantic é hoje uma das empresas que mais cresce no mundo com seu relançamento que, na verdade, passa por competições. Hoje, como antes, as corridas representam uma vitrine, desde que você as faça bem. Fantic renasceu para todos os efeitos com uma alma desportiva que se desenvolve paralelamente ao lançamento de novos modelos. Mariano Roman, CEO da Fantic Motor (bem como novo presidente da ANCMA), é o primeiro a ter plena consciência da importância do desporto motorizado em virtude do seu passado na era dourada da Moto Guzzi e da Aprilia. Os anos passam, mas o “Ganhe no domingo, venda na segunda”é sempre atual.
DAI RALLY RAID ALLA MOTO2
Operando em diversos segmentos de mercado, a Fantic Motor não deixou de fora nenhuma competição de motocicletas. Vão desde o Rally Raid com participação no Dakar até ao Enduro, já conquistando os primeiros títulos mundiais (por último, mas não menos importante, com Kevin Cristino nos Juvenis do ano passado). Não falta aposta no Motocross e, claro, na Moto2. Se a filosofia offroad foi escolhida para se basear nas estruturas existentes (Wilvo Racing no MXGP, SM Action nas Europeias 250 e SDM Corse nas Europeias 125), para o programa de Moto2 intervimos nós próprios. No segundo semestre de 2022, assumindo os cargos e staff da antiga equipe VR46 Moto2, porém colocando seu (tudo) esforço com Stefano Bedon agora coordenador da área Racing Velocity e Roberto Locatelli Team Manager.
FESTA MOTO2
As habilidades dos nomes indicados foram combinadas com um “campanha de compras”de técnicos com experiência comprovada na classe Moto2, vencedores no passado recente em estruturas como Pons e o próprio VR46. Em Spielberg (casa Pierer Mobility) em 2023 o primeiro viva chegou com Celestino Vietti Ramus, com o novo percurso realizado este ano começando da melhor maneira possível. Se ‘Celin’ decidiu abraçar a causa KTM Ajo, Fantic apostou tudo em Aron Canet (máximo respeito por Xavi Cardelus, mas o seu papel é… outro), um motociclista com imensa velocidade, mas ainda com o tabu da vitória na Moto2. Desmascarado em grande na segunda corrida, após testes vividos como protagonista, agora desprezando todos no mundial. Pelo amor de Deus, com quadro KALEX e motor Triumph, mas onde a Fantic se destaca em todos os lugares. Na frente, justamente, da KTM, Honda, Yamaha…