A paciência infinita de Fabio Quartararo: o MotoGP 2025 está longe

Vendo o grande sorriso de Marc Márquez pelo quinto lugar no auge do primeiro Sprint de MotoGP passado no grupo da frente, pode-se perguntar se por acaso a equipa Gresini tem uma Ducati sobrando para Fabio Quartararo. Na verdade, ver o Campeão do Mundo de 2021 tão atrás, tão em dificuldade, apesar de estar longe do grupo que conta, dói. Falamos legitimamente sobre a atual crise no desempenho e nos resultados da Honda, mas se o Asaka Center chora, Iwata (ou Gerno di Lesmo) não ri. O anunciado revolucionário M1 2024 não, ainda não foi visto. Melhorias sim, aqui e ali, mas não são suficientes. ‘O diabo‘ já se abre para um futuro longe da caixa azul, mas ainda haverá uma (muito longa) temporada de 2024 para vivenciarmos juntos.

FABIO QUARTARARO GRANDE PROFISSIONAL

Há uma qualidade de Fabio Quartararo pouco exaltada e sublinhada. 2024 representa agora a segunda temporada em que ele se encontra lutando no segundo ou terceiro grupo, mas nunca desiste. Soma-se a isso as peculiaridades de um profissional comprovado que vale a pena tirar o chapéu. Nunca uma palavra fora do lugar, nunca uma cena histérica, nunca uma reação desconexa destinada a deslegitimar aqueles que, para o bem ou para o mal, trabalham para fazer da sua M1 uma moto competitiva como já foi. Qualidade rara hoje em dia, mas o Fábio é assim. Em sua alma, talvez ele simplesmente não aguente mais, mas não demonstra. Porém, considerando os últimos cinco anos da Yamaha, se ele não estivesse lá, o prato Tre Diapason já estaria chorando há muito tempo.

PROMESSAS DE MOTOGP DA YAMAHA

Criador do primeiro (e único) título da era pós-Rossi-Lorenzo na Yamaha, Quartararo renovou a confiança na empresa nos primeiros meses de 2022 ao assinar um contrato de dois anos. Na altura todos o procuravam, mas ele apoiou a causa Yamaha durante mais dois anos com garantias de desenvolvimento e investimentos (além de uma rica compensação, é preciso dizer). Promessas parcialmente cumpridas: de Bartolini em diante, a Yamaha foi a empresa que conseguiu a melhor campanha de compras do último período. O motor empurra com mais força, mas ainda não há aderência. O short deck habitual dos últimos anos, aliado a um pacote de atualizações de concessões que só chegará nos próximos meses.

RUMO AO MOTOGP 2025

Um M1 verdadeiramente “diferente” deverá chegar a Mugello, mas agora parece tarde demais para convencer Fabio Quartararo a ficar no futuro. No final do Sprint do Qatar que terminou na décima primeira posição, ficou claro para a DAZN Espana: “Acredito no projeto Yamaha, mas também tenho que olhar para o curto prazo“. Palavras que, se não soam exatamente como ex, lembram o já citado Marc Márquez de 12 meses atrás. Além disso, o mercado de pilotos já começou: o tempo está a esgotar-se e Quartararo já não tem tempo para esperar por boas notícias no eixo Iwata-Gerno de Lesmo.