Em 2023 o CIV Supersport 300 produziu vários destaques. O regresso de Bruno Ieraci (mais tarde Campeão com a equipa Prodina Racing Kawasaki), a comparação com pilotos de âmbito internacional (ver Matteo Vannucci e Mattia Martella), a presença de um (competitivo) “cota rosa” como Sara Sanchez, 5 nacionalidades diferentes representadas no grid e, por último mas não menos importante, uma estreante capaz de deixar a sua marca. Para este último ponto fica Emanuele Cazzaniga, que conquistou o prémio de melhor estreante da época passada. Aposta da equipe Racestar Yamaha, ele não decepcionou em nada na estreia nas 300cc italianas.
A crueldade do motociclismo
Com apenas vinte anos, a história de Emanuele Cazzaniga vale a pena ser contada e, em alguns aspectos, inusitada. Vencedor de corridas nos campeonatos inter-regionais de minibikes, aos 8 anos de idade exibiu-se numa das classes preparatórias do CIV Minimoto, terminando em segundo lugar com Matteo Bertelle (agora envolvido no Campeonato do Mundo de Moto3). Apesar de suas boas habilidades de corrida, os efeitos de algumas derrotas dolorosas sofridas em campo o levaram a se distanciar das competições de motociclismo até dominar melhor suas emoções. Perder, como sabemos, dói. Sempre, mas metabolizar uma derrota também significa aprender a considerá-la uma lição de vida.
O retorno de Cazzaniga às competições
Nos anos seguintes tentou construir uma carreira como jogador de futebol nas camadas jovens de uma equipa local, pelo menos até ao início da pandemia. Com vestiários e campos de jogos inviáveis devido às normas de segurança impostas pelo governo da época, no mesmo período o amor pelo motociclismo voltou a florescer. Depois de estudar para adquirir a licença de 125cc, graças ao pai (ex-piloto da Aprilia Sport Production) adquiriu uma Yamaha R3 e inscreveu-se, sob a bandeira da muito privada equipa Tecnica Moto, para o troféu monomarca Yamaha R3 Cup Italia em 2021. Ele não usou muito para recuperar os automatismos certos, já incluindo alguns top-10 no final da temporada. Resultados crescentes que convenceram a equipe Gradara Corse a confiar nele para 2022.
Revelação do CIV Supersport 300
Tendo se formado como campeão da Yamaha R3 Cup Italia de 2022 com 2 vitórias e 3 pódios em 7 corridas, ele foi contratado com bastante antecedência pela equipe Racestar para 2023 para dar o salto para o CIV Supersport 300. Contra as previsões, Cazzaniga subiu direto ao pódio na sua primeira corrida em Misano, impressionando novamente com mais 2 pódios (poderiam ter sido 3 se na Corrida 2 em Mugello 2 ele não tivesse sido desclassificado para “irregularidade técnica”) e 1 vitória no final da temporada. Desempenhos de profundidade absoluta para um estreante, certificado pelo quarto lugar no campeonato atrás de pilotos experientes do calibre de Bruno Ieraci, Oscar Roldan Nunez e Matteo Vannucci, dois destes já vencedores de corridas na categoria Campeonato do Mundo.
2024 da protagonista
Não somente. Ele também impressionou no wild card mundial de Misano em junho passado, no qual também participou com a Racestar, chegando perto de alcançar o top 10 na qualificação (as corridas, porém, foram menos afortunadas). O suficiente para iniciar uma conversa de renovação. Tendo desaparecido a possibilidade de inscrição no Mundial de Supersport 300, nas últimas semanas estão a ser estudadas mais soluções tendo em vista a temporada de 2024. Enquanto aguarda novidades neste sentido, Cazzaniga coloca-se entre os que estão sob especial observação. Independentemente do campeonato (e do deslocamento?) onde irá correr, no papel ele tem tudo para brigar no topo e, considerando que estamos falando de uma turma de 2003, sonhar com um futuro de alto nível também no motociclismo internacional. Entretanto, continuará a ajudar os pais nas atividades diárias da pastelaria e geladaria familiar de Besana, em Brianza…
Crédito da foto: Salvatore Annarumma