Partimos de uma premissa: os 4.445 metros de Phillip Island, historicamente, fazem história por si só. Pelos perigos das suas curvas serem feitas em altíssima velocidade, pela elevada degradação dos pneus (asfalto velho ou novo não faz diferença…). Ou, como no caso deste fim de semana, para corridas “longo” chateado com o pit stop obrigatório. Embora provavelmente poucos, talvez nenhum, teriam apostado que Alex Lowes seria o vencedor no domingo na Austrália. Com sua Ninja ZX-10RR, o piloto da Kawasaki Racing Team venceu uma longa série de protagonistas esperados tanto na Superpole Race quanto na Race 2, quebrando sua seca pessoal de quatro anos.
Alex Lowes monopoliza a cena em Phillip Island
Phillip Island é um pouco parecido com ele “Parque infantil”. Nesta pista subiu ao degrau mais alto do pódio já em 2020, na estreia com as cores de Akashi. Nesta circunstância, porém, ele se esforçou muito porque o atual Verdona, em ótimas condições, não parece ser a referência no grid. Mais dúvidas do que certezas pairavam em torno do projecto após o final do épico de Jonathan Rea (que não tirou nada do buraco com a Yamaha nesta primeira ronda…) e, enquanto a nova entrada na equipa Axel Bassani continuava a catalisou o interesse da maioria, o Campeão do BSB 2013 na Austrália fez… o Jonathan Rea! Primeira sexta-feira, terceiro tempo na Superpole, dobradinha entre Corrida SP e Corrida 2 e liderança do campeonato com 50 pontos. Na verdade, ele só perdeu o pódio na Corrida 1 (4º).
Voltar para a vitória
“Dia incrível! Já fazia muito tempo desde a última vitória… na última volta eu estava chorando”admitiu o nativo de Lincoln eufórico, conquistando seu quarto sucesso na carreira no Campeonato Mundial de Superbike. “Os caras fizeram um trabalho fantástico durante toda a semana. Estou muito, muito, muito feliz. A primeira parte do Jogo 2 foi caótica. Fiquei um pouco paralisado, então a bicicleta de Razgatlioglu virou fumaça bem diante dos meus olhos, enquanto Rea sofreu uma queda feia. Felizmente consegui recuperar até a quinta posição antes da bandeira vermelha”. Uma interrupção muito necessária para ajudar o lesionado Rea, mas providencial para a tentativa de recuperação de Lowes.
Álvaro Bautista eletrocutado
Na relargada seguinte, sem mais obrigação de troca de pneus, o camisa 22 não se conteve. No enésimo “Corrida de velocidade” do fim de semana deu show do início ao fim, atacando o melhor Bautista para a vitória com uma ultrapassagem da filmoteca, por fora, em Lukey Height: “Meu objetivo era começar bem para ficar entre os 3-4 primeiros. Comecei lutando com Rinaldi, Locatelli e Bautista. Na última volta, Locatelli ultrapassou-me no gancho de Miller, quase arriscando bater em Bautista. Felizmente consegui ficar na linha, perto do Bautista. Eu sabia que ele teria dificuldades ao entrar na curva, tinha muito mais aderência do que ele e me senti muito rápido naquele trecho da pista. Foi a minha oportunidade e aproveitei, a estratégia valeu a pena”.