As lembranças permanecem intactas em nossa memória e são talvez a parte mais bonita que carregamos dentro de nós. Quantas vezes encontramos um sorriso ao pensar em uma lembrança esportiva feliz? E quantas vezes essa memória remete a ele, a Michael Schumacher? Muitas e muitas vezes, pelo menos para aqueles como eu e a minha geração que nasceram na era de ouro do piloto alemão e do seu carro italiano. No entanto, as memórias também nos remetem àquele 29 de dezembro de 2013. O dia em que Michael caiu dos esquis enquanto estava com a família no Monte Méribel, na França. Esse dia marcou um novo desafio para o campeão, que ainda hoje não consegue vencer, mas que todos esperamos que consiga.
As lindas lembranças de Michael Schumacher que carregamos dentro
Os seus anos dourados, ou melhor, vermelhos, coincidiram com os de Valentino Rossi no MotoGP. Uma combinação que levou cada vez mais pessoas a amar o mundo dos motores. Os 5 títulos conquistados com a Ferrari marcaram uma época irrepetível para os torcedores de vermelho, que até hoje, vendo o progresso da equipe de Maranello, só se lembram de assistir às corridas. Os dias em que a sua vitória foi dada, os dias em que tudo parou às 14h para ligar a TV e colocar Rai1. Tudo para ver o piloto teutónico triunfar com o seu carro italiano, uma constante agradável, que alegrava as tardes de domingo dos italianos.
Sua fome canibal deixou pouco para seus oponentes, pergunte-se antes de mais nada Rubens Barrichello. Isso, porém, é o que faz um piloto campeão: nunca estar satisfeito. 7 títulos mundiais e 91 vitórias são estatísticas que tornarão Michael Schumacher único para sempre. Cada um de nós tem então a sua vitória favorita, que muitas vezes coincide com Suzuka 2000. A madrugada vermelha, o dia do regresso da Ferrari ao triunfo no campeonato mundial. Uma das lembranças que todos carregamos é Silverstone 1998, o dia em que o piloto confiou cegamente em Ross Brown, cruzando assim a linha de chegada desde o pitlane e cumprindo a penalidade que lhe havia sido infligida.
Memórias que deixam um gosto ruim na boca
A mente está zombando e seria inapropriado dizer que também não temos lembranças menos que felizes de Michael Schumacher. Meu favorito continua sendo Suzuka 2006, quando naquela manhã eu realmente acreditei que ele poderia chegar mais perto do oitavo título. Os deuses, porém, queriam outra coisa e por isso lembraremos para sempre do motor da Ferrari 248 F1 que virou fumaça, obrigando-o a abandonar a corrida quando era líder. Claro, há também Jerez 1997, onde ele não se comportou como um verdadeiro campeão, tentando expulsar Jacques Villeneuve. Essa ação se voltou contra ele, tanto que foi ele quem acabou saindo e talvez tenha realmente aprendido muito com aquele dia, pagando também os negócios inacabados que tinha desde Adelaide 1994 com Damon Hill.
Quando pensamos em Spa-Francorchamps com o piloto teutônico, temos dificuldade em pensar no título que ele conquistou em 2004, o último de sua carreira. A razão para isso? Fácil, a ultrapassagem em Spa em 2000 de Mika Hakkinen sobre Schumacher permanecerá para sempre uma das mais incríveis da história da Fórmula 1. A imagem no final da corrida permanecerá para sempre indelével, com o alemão perguntando ao seu rival finlandês como será que ele pensou em ultrapassá-lo enquanto ele ultrapassava Ricardo Zonta. Em suma, as memórias que nos ligam ao Michael são muitas e é por isso que ele será sempre uma lenda deste desporto e é por isso que a situação atual nos dói tanto.
A nova memória de Michael Schumacher, o mais lindo
Todos nós sonhamos em adicionar uma nova memória de Michael Schumacher em nossas cabeças, talvez a melhor que poderíamos carregar. O alemão que se recupera e talvez isso possa acontecer já no dia 3 de janeiro, quando completar 55 anos. Isto é obviamente um sonho, mas acreditar na ciência é o que ainda nos faz ter esperança e sonhar. Ele nos acostumou a reviravoltas impossíveis, como Interlagos 2006. A última no vermelho, aquela corrida maluca que o fez recuperar uma volta e terminar a prova em quarto lugar. As chances infelizmente são poucas, mas sempre podemos voltar às nossas memórias. Não teremos a imagem de Michael preso a máquinas, mas sim dele dominando o mundo em cima de uma máquina.
FOTO: Fórmula 1 social