Nos últimos meses a assessoria de imprensa da HRC divulgou um vídeo dos bastidores do primeiro contato de Luca Marini com sua nova realidade no MotoGP representada pela equipe Repsol Honda. Recebidos na garagem pelo seu engenheiro-chefe Giacomo Guidotti, trocaram algumas palavras em italiano. “Nesta fase de desenvolvimento (a moto) provavelmente não será comparável à que utilizou até ontem (Ducati), mas esperamos que cheguemos lá“, disse Guidotti. “Nós melhoramos, nós melhoramos“, resposta de Marini. Uma repetição reforçadora, que visa confirmar o seu sentimento de confiança e de orgulho por fazer parte do projecto HRC nos próximos dois anos. Muitas esperanças, muito trabalho, um início encorajador nas Provas de Valência, depois uma série de quedas, quedas e performances que estiveram longe de serem definidas como dignas. Em certo sentido, fazer com que todos, mas não a pessoa diretamente envolvida, percam um pouco o sentido da questão.
QUEDAS E BATIDAS DE ORBI
Desde aquele Teste de Valência onde (os tempos disponíveis) correram bastante bem tendo em conta o potencial da moto, a combinação Marini-Honda piorou progressivamente. Em termos de desempenho, em termos de confiança. Na verdade, a partir do Catar, foram registrados acidentes um após outro. A série de quedas nos fins de semana de corrida é preocupante (e, como ele próprio admite, um péssimo voo nos testes privados de Jerez), com dinâmicas diferentes, mas sempre caracterizadas pela imprevisibilidade. Não é algo novo, para os pilotos Honda do passado e do presente, mas que assim seja. Uma situação quase descontrolada e insustentável, tanto que admitimos nesta conjuntura que pouco entendemos do quadro e que revisámos os nossos objectivos. Agora o objetivo não é aproximar o grupo, mas sim os demais pilotos Honda.
NA FALHA DO GRUPO MOTOGP
Se a vasta série de acidentes causa preocupação, o desempenho na pista não é diferente. Nos dois fins de semana de corrida arquivados até agora, Luca esteve na última posição do MotoGP. Além disso, com lacunas pesadas. A sua RC213V não será um raio de guerra, mas os outros pilotos Honda continuam longe. Isto fez com que o aspecto central da questão se perdesse um pouco: Luca Marini foi e continua a ser piloto de MotoGP.
CAVALEIRO DE MOTOGP, ENTÃO MOTORISTA DE TESTE
Sacrossanto e correto em elogiar suas qualidades indiscutíveis como motociclista “técnico“, sensível, que fala bem e se faz entender ainda melhor pelos engenheiros (incluindo a Honda). No entanto, Luca Marini não é um piloto de testes: continua a ser um piloto regular de MotoGP que deve ser rápido. Quando os horários não chegam e cai com essa frequência, deve-se fazer soar uma campainha de alarme. Claro: para a própria HRC, neste momento não são esperados os grandes resultados, as façanhas, os feitos lendários. Mas de Marini há expectativas de um piloto de alto nível, ao mesmo tempo que um excelente trabalho reconhecido por todos.
COMPARAÇÃO COM O PASSADO
Falar de Marini apenas como piloto de testes deslegitima-o da sua profissão: piloto de MotoGP. Porque ainda falta marcar a caixa da vitória na classe máxima (é verdade), mas neste campeonato ele tirou a satisfação. Se ele teve dificuldades com a Honda no Catar este ano, ele conquistou a pole position no máximo em novembro passado. Daqui a cerca de dez dias iremos para Austin onde, em 2023, subiu ao pódio na corrida longa, aquela “Vera“, o de domingo. Isto mostra que o #10 não é um peixe fora d’água na classe rainha, com uma série de resultados (OK, pilotando uma Ducati) não “como piloto de testes“. Caso contrário, se esta for a sua nova função, deixe que os diretamente envolvidos o digam publicamente. Por outro lado, um piloto de MotoGP não cai assim, buscando o limite, arriscando muito na compreensão da moto mais problemática do lote, se fosse para apenas ir”andando”para percorrer os quilómetros. Ele é um piloto, na verdade, dono da classe rainha, enquadrando-se entre aqueles que são definidos como “22 dos melhores motociclistas do planeta“…