Quando você pensa na Ferrari você pensa em apenas uma cor: vermelho. A história, porém, nos leva a relembrar uma anedota ocorrida em 1964. A equipe de Maranello competiu em monolugares azuis nas duas corridas do campeonato na América do Norte. Neste fim de semana em Miami a história se repete. Na verdade, a Ferrari decidiu propor novamente o azul em seu carro. Uma cor muito mais opaca, visto que o vermelho continuará a ser a cor chave, mas que também está ligada ao novo patrocinador da equipa. A empresa italiana anunciou a gigante da tecnologia HP como sua parceria principal. Miami abre uma nova era do Cavalo Empinado, suspensa entre um passado glorioso e um futuro promissor.
Ferrari e HP uma colaboração para alcançar o sucesso
O fim de semana de Miami terá uma mudança significativa, aliás, a equipe fundada por Enzo a partir da etapa da Flórida se chamará: Scuderia Ferrari HP. Uma colaboração que não é apenas comercial, mas também tecnológica. A empresa americana será fundamental para ajudar a seleção italiana a voltar aos mais altos níveis. A chegada de Lewis Hamilton a Maranello despertou novo entusiasmo por parte dos investidores globais. Um retorno de imagem claro que demonstra como a escolha de contratar o heptacampeão mundial tem muitas justificativas, não apenas esportivas.
Em Miami o logotipo da HP aparecerá na carroceria do SF-24 e nos trajes dos pilotos, inteiramente em azul. Para a empresa norte-americana não é a primeira vez na Fórmula 1. A Williams já havia colaborado com eles e tinha um carro azul e branco com a escrita HP. Ironicamente, naqueles anos, o principal rival da Ferrari era a casa Grove. Por trás desse movimento de marketing, porém, há também uma referência à história. Uma história que aconteceu há 60 anos, quando Enzo perdeu a paciência com a Federação Italiana.
Quando o Drake rompeu com a Federação Italiana
Nossa máquina do tempo nos leva de volta a 1964, ano em que a Ferrari conquistou o título mundial de pilotos com John Surtees e também conquistou o título de construtores. Agora você pode se perguntar: por que Drake conseguiu discutir com a Federação Italiana em um ano tão lindo? Tudo tem um carro no meio, o 250 LM. A Ferrari 250 LM deveria participar da categoria Gran Turismo. Enzo e seus homens tinham certeza de que ele deveria correr naquela categoria, mas a Federação Italiana pensava diferente. O carro, aliás, foi obrigado a competir com os protótipos. A Ferrari perdeu todas as restrições inibitórias e assim, no final de 1964, a equipe de Maranello perdeu sua licença como fabricante, por ter sido revogada pela Federação.
Enzo, que não desistia facilmente, decidiu então encontrar uma maneira de fazer os homens da Federação pagarem. Muitos não sabem, mas nos primeiros anos de corrida as cores não eram escolhidas pelas equipes, mas sim baseadas no país de origem. O vermelho representava a Itália e, portanto, os carros Ferrari tinham essa cor. Como sua licença foi revogada, Drake teve que recorrer à North American Racing Team. Uma equipa que colaborou com a Ferrari na parte técnica e assim a equipa de Maranello correu sob licença dos EUA. Isso levou o 158 a disputar os dois últimos GPs da temporada de 1964 com a cor azul. Um grande revés para a Federação Italiana, que depois chegou a um acordo com Enzo. Na verdade, em 1965, os carros da empresa italiana voltaram a ser vermelhos. Somente nos GPs dos EUA e do México de 64 o mundo viu Ferraris em uma cor diferente do vermelho.
Enzo Ferrari e seu personagem guerreiro
Aquele com a Federação Italiana não foi o único em que Enzo mostrou as garras. Um dos maiores inimigos de Drake era a Confindustria. As relações entre a organização dos industriais e o presidente da Ferrari eram muito tensas. Nos tensos anos do pós-guerra, Enzo nunca aceitou a política da Confindustria de discriminar os trabalhadores de fé comunista. Então um dia Enzo resolveu trazer o secretário do PC Palmiro Togliatti para Maranello e mostrá-lo aos seus trabalhadores, como se dissesse: “ Ninguém é expulso de mim por suas ideias políticas, só estou interessado em como você trabalha”. Uma cena que causou sensação: Ferrari não estava alinhado politicamente, só queria demonstrar quem era. Um homem que não tinha problemas em impor suas ideias até mesmo contra corpos maiores que ele. Uma última grande saída de Drake foi quando ele estava prestes a tirar a Ferrari da Fórmula 1 e entrar na IndyCar. O presidente não aceitava mais equipes que construíssem apenas algumas peças de seus carros. Um cabo de guerra que também viu Enzo colocar uma bandeira e que mostra como aquela luta de 1964 faz parte do DNA de Drake.
FOTO: Fórmula 1 social