Um primeiro fim de semana de MotoE claramente positivo, mas sem conseguir recolher na corrida. Alessandro Zaccone lamenta o erro na Corrida 1 que também afetou a Corrida 2 em Portimão, mas quer olhar para o copo meio cheio. Os sinais são decididamente encorajadores depois de uma temporada de MotoE inesquecível, o piloto da Tech3 de facto mostrou coisas boas entre os testes e a qualificação, mesmo que a meio caminho devido ao mau tempo e subsequentes condições da pista. Zaccone é rápido e já mostrou isso, já estamos de olho em Le Mans para a redenção. Porém, há uma longa pausa no meio, antes disso ele nos contou como foi o evento inaugural da temporada 2024.
Alessandro Zaccone, como correu a primeira ronda de MotoE em Portimão?
Digamos que no final não trouxemos nada para casa, sinto muito porque mostramos que éramos rápidos, me senti bem na moto. Infelizmente cometi um erro na corrida 1, na verdade o erro foi mais o do Casadei na curva 1, onde passei ao lado depois de tentar ultrapassá-lo. Porém, sempre sofri com pouca tração, então ficava longe na hora de frear e sempre tive que arriscar um pouco demais para ultrapassar.
O momento decisivo, porém, foi o incidente com Torres.
Foi a primeira vez que freiei atrás dele, que freou um pouco antes de mim e do grupo da frente. Me pegou um pouco de surpresa, frei onde já tinha feito a volta anterior, mas estava tão perto que não consegui parar, toquei nele e o fiz cair. Com outra moto teria evitado, mas sabemos que com essas motos é sempre um pouco mais difícil. Arruinei a corrida dele e também arruinei a corrida 2, com uma volta longa em sete voltas não dá para fazer nada. Terminei 4 segundos atrás do líder e perdi 5 na penalidade… Fui muito, muito rápido, mais do que esperava, apesar da moto não estar perfeita para a queda.
Houve alguma consequência?
Entre a Corrida 1 e a Corrida 2 não tivemos muito tempo, considerando também que o MotoE tem que carregar durante uma hora. Os mecânicos correram como loucos para prepará-lo, mas durante a volta de alinhamento percebi que a placa do guidão estava completamente torta. Felizmente na grelha conseguiram endireitar um pouco, mas a moto não estava bem na frente. Apesar disso rodamos muito bem, com algumas pequenas alterações para a Corrida 2, por isso na minha opinião o potencial era muito bom, mas foi assim que correu.
Um final portanto que não reflete o que foi mostrado nas rodadas anteriores.
Lamento porque fomos rápidos e poderíamos ter lutado pelo pódio tanto na corrida 1 como na corrida 2, mas em vez disso voltamos para casa praticamente sem nada. Lamento, mas pelo menos confirmamos que somos rápidos e finalmente me sinto muito bem no selim, algo que sinto falta há algum tempo. É uma pena esta primeira ronda, mas também podemos continuar assim em Le Mans. Se fosse possível eu iria lá amanhã para ver o que posso fazer!
Esperando que o tempo esteja bem diferente em relação ao fim de semana em Portimão, onde não te ajudou muito.
Sabemos que o tempo connosco é sempre um pouco assim, mesmo na prova de quinta choveu sempre! Então basicamente não tentamos nada. Mas estamos sempre a fazer progressos, mesmo que não o tenha conseguido demonstrar em Portimão.
As condições encontradas na primeira rodada de sexta-feira então…
Acho que nunca encontrei uma situação assim, foi realmente como andar na terra! Tinha até lama na pista, havia manchas marrons. Ter dificuldade em tocar o joelho com os pneus slick nas partes secas fez com que estivesse realmente muito escorregadio. Andar de motocross ajudou muito [risata]. Era inviável, na minha opinião nem deveriam ter nos deixado entrar na pista… Mas sabemos como é, no final nos deixaram andar de qualquer maneira.
Os testes de quinta e o treino 1 de sexta foram nulos, afetaram você?
Certamente ter um turno extra teria ajudado. Tivemos sorte com o bom trabalho nos testes e por isso, para o bem ou para o mal, estávamos todos em ordem. Mas num fim de semana em que só se fazem 15 voltas num dia inteiro, uma sessão como esta é certamente penalizadora, até porque o treino 2 já é válido para qualificação. Aí sempre encontrávamos condições diferentes, era meio que uma loteria, mas era assim para todo mundo.
No final, como está Portimão com a MotoE?
Esperava muito pior, mas em vez disso me diverti muito com a MotoE, tenho que ser sincero. O peso da moto não foi muito sentido, mesmo com mudanças de inclinação. Contra todas as expectativas, na minha opinião é uma das pistas mais bonitas para andar de bicicleta.
Qual a sua impressão dos pneus no final do primeiro fim de semana de corrida?
Na frente deram um bom passo em relação ao ano passado, pelo menos em Portimão. Ele se comportou bem, não tivemos nenhuma preocupação. Já a traseira sofreu um declínio um pouco maior em relação aos testes, mas na minha opinião foi por conta da pista suja. Com pouca borracha ainda no chão estava bastante desgastado, estragou depois de duas voltas. Na Corrida 2, no entanto, correu melhor, por isso penso que foi apenas por causa disso. No geral os pneus deram um salto em relação ao ano passado, especialmente em termos de consistência.
A nota positiva é que você já mostrou que é muito mais competitivo do que em 2023.
Trabalhamos bem nas provas, mas no ano passado trilhamos um caminho que não deu certo. Este ano começamos com uma configuração totalmente diferente e funcionou imediatamente. Demos um grande passo em frente e isso dá-me esperança para toda a temporada. Fazer uma corrida na frente me deu muita confiança novamente.
Quais são as expectativas para Le Mans?
Em 2021 fizemos uma bela corrida, talvez uma das melhores da minha carreira. No entanto, no ano passado, tivemos dificuldades, mas este ano já demos grandes passos em frente. Se a moto funcionar e eu me sentir bem… Isso se aplica a todas as pistas, veremos como nos sentimos quando chegarmos lá. Tentaremos fazer mais alguns pequenos ajustes e depois estaremos lá no lote.