Fórmula 1: Carlos Sainz, ex-gregário, agora pode ajudar Charles Leclerc

A temporada que acaba de terminar, como sabemos, foi um monólogo da Red Bull. O fabricante austríaco obteve vinte e um sucessos em vinte e duas corridas. A única piada vazia da marca resultante das latas do energético veio de Carlos Sainz. O espanhol assinou uma suntuosa vitória em Singapura, demonstrando como mesmo aqueles que começam com o papel de doméstico podem tornar-se importantes. Essa corrida será lembrada por muito tempo, principalmente pela forma como Carlos conseguiu triunfar. Um sucesso que talvez o possa lançar rumo a 2024, sabendo desde o início que Charles Leclerc certamente quererá fazê-lo novamente.

A mente de Carlos Sainz não foi descoberta em Singapura

Todos os pilotos têm seus pontos fortes, cada um tem um diferente. Isso torna a disciplina ainda mais bonita, pois todos farão o possível para vencer a prova. Carlos Sainz, em Cingapura, fez exatamente isso, usando seu dom de estrategista. O espanhol entendeu que ao entregar o DRS a Lando Norris, conseguiria afastar George Russell com pneus mais frescos, já que o britânico nunca conseguiria ultrapassar o seu compatriota naquele momento. Assim como o DRS ajudou Russell a se aproximar de Norris, ajudou o próprio Lando ao usar o de Sainz, que de qualquer maneira era bom em manter uma margem de segurança.

O da Marina Bay mostrou-nos ainda mais como o ibérico sabe ler as situações. Muitos certamente se lembrarão do Monte Carlo do ano passado, onde Leclerc confiou cegamente no muro, indo contra uma estratégia fracassada, enquanto Sainz não o fez, continuando seu caminho. Este ano, para acabar com o domínio da Red Bull, talvez fosse necessária mais esta característica do que velocidade. Característica que tornou Carlos capaz de vencer pelo menos uma corrida em 2023, mesquinho de satisfação para a Ferrari. O SF-23 não era um carro excelente, mas Sainz fez bem em explorar a única boa oportunidade.

Carlos Sainz faz dieta com Charles Leclerc

Porém, a classificação final recompensou Leclerc, que terminou à frente do companheiro. O monegasco terminou a temporada com 206 pontos, enquanto o espanhol teve 6 pontos a menos que ele. Pelo meio são seis pódios para Charles e três para Carlos, mas é justamente esta vitória que mais pesa. Porém, esses números também mostram como a temporada do Cavalo Empinado foi muito decepcionante. Ver os dois pilotos terminarem em quinto e sétimo na classificação final é muito triste. Principalmente depois do final da temporada passada, onde Leclerc ainda ficou em segundo lugar no campeonato de pilotos.

Voltando ao sucesso de Sainz, porém, podemos dizer uma coisa. Desde a sua chegada, o espanhol chegou sem probabilidades, quase como se fosse apenas o ala de Leclerc. Sua ida para a equipe de Maranello aconteceu após a separação de Sebastian Vettel, como se quisesse dizer que a equipe apostava tudo em Leclerc. Algo que realmente não aconteceu nestes três anos. No primeiro ano, Carlos até terminou à frente do companheiro, enquanto talvez na temporada passada a diferença tenha sido mais acentuada a favor do monegasco. O sucesso de Carlos Sainz, porém, nos faz entender que a Ferrari pode realmente focar em dois primeiros atacantes, aproveitando ao máximo as habilidades de seus dois porta-estandartes.

Dois pilotos com habilidades diferentes

O ponto forte de Carlos Sainz, como já dissemos, é saber ler bem as situações, enquanto o de Charles Leclerc é a velocidade pura. Agora, se a Ferrari conseguisse projetar um carro melhor em 2024 e explorar os diferentes talentos dos dois pilotos, poderíamos sonhar com algo melhor? Muito provavelmente sim, também pelo facto de os dois porta-estandartes da empresa italiana estarem ligados por uma forte amizade. Amizade sim, ainda que muitos vejam veneno entre os dois, quase como se não se suportassem. Esta lenda talvez tenha nascido mais de fora do que de dentro, pois os dois têm o objetivo comum de tornar o Cavalo Empinado novamente grande na Fórmula 1.

FOTO: Social Carlos Sainz