A temporada da Mercedes ficou aquém de todas as expectativas, tanto que não conseguiu vencer uma única corrida. Fato que não acontecia desde 2011, quando a empresa alemã estava no segundo ano desde o retorno à Fórmula 1. Em suma, quando ainda estava em fase de estudos e aguardava a era híbrida. Na época era um time que só falava alemão. O tempo transformou então o projeto, tornando esta equipa uma das mais bem-sucedidas de sempre, abrindo um ciclo difícil de igualar. O problema é que depois deste 2023, a montadora parece ter retrocedido, com passos visíveis para todos.
2011 marcou o início da mudança para a Mercedes que trouxeram para Xangai 2012
O retorno permanente da Mercedes à Fórmula 1 remonta a 2010, que coincide com o retorno de Michael Schumacher às corridas. O heptacampeão mundial foi procurado pela empresa de Stuttgart para ajudar no crescimento da equipe, que havia ocupado o lugar da BrawnGP. Schumacher aceitou, até porque a empresa alemã já participava no principal campeonato automóvel, fornecendo os seus motores. Ao lado de Michael como portador das flechas de prata estava Nico Rosberg. Os primeiros dois anos são de ajuste e servem para entender o que fazer.
É por isso que ninguém se alarma com a falta de vitórias, ainda que se deva dizer que em 2010 Nico Rosberg alcançou 3 terceiros lugares. Porém, 2011 terminou sem pódios, embora a equipe teutônica ainda tenha conquistado o quarto lugar no campeonato de construtores. 2012 é o ano que realmente abre a fase de vitórias da equipe, com a vitória de Rosberg no GP da China. O alemão vence, enquanto Michael é forçado a abandonar devido a um problema no carro enquanto estava na segunda posição. A temporada realmente não decola, mas essa afirmação abre um ciclo importante. A Mercedes venceu pelo menos uma corrida no campeonato mundial de Fórmula 1 durante onze anos consecutivos.
O drama esportivo de 2021
Schumacher se aposentou no final de 2012, desta vez definitivamente e seu lugar foi ocupado por Lewis Hamilton.2013 trouxe vários sucessos e o segundo lugar no campeonato de construtores. Os anos de 2014 a 2020 são a era de ouro para as flechas de prata, que colecionam sete títulos mundiais consecutivos. Seis vitórias lá como sabemos com Hamilton, uma em 2016 vai para Rosberg. Os anos híbridos foram todos em nome da empresa de Stuttgart. No entanto, 2021 marca o ponto de viragem negativo para a empresa alemã. O mundial foge para a última corrida contra Max Verstappen e Red Bull, com o final mais polêmico da história da Fórmula 1. Depois 2022, com a mudança de regulamento, a Mercedes está perdida.
No ano passado o W13 foi um verdadeiro desastre, que só foi salvo na última parte da temporada. O monolugar cresceu com o tempo, vencendo com George Russell em Interlagos, no GP do Brasil. Bandeira no ano passado, a Mercedes ainda conseguiu colocá-la. O W14 deste ano deveria ser o carro de relançamento e, em vez disso, não foi isso. Zero vitórias sazonais, pondo fim a uma sequência positiva que já durava onze anos. O segundo lugar deste ano em construtores foi um golpe amargo, visto que o caminho para o sucesso nunca foi encontrado. O verdadeiro problema é que a casa teutônica parece ter perdido o rumo.
Nada está perdido e talvez 2024 marque o renascimento
O verdadeiro problema nesta temporada foi nunca ter encontrado um sentimento positivo com as atualizações, dificultando muito o trabalho na fábrica e não levando aos resultados desejados. O Abu Dhabi do ano passado terminou com a famosa frase de Lewis Hamilton: “Não quero mais ver esse carro!”. É uma pena que em 2023 tenha nascido um ainda pior, que sempre perdeu na comparação com o RB19. 2024 poderá marcar o retorno da Mercedes como protagonista, tudo dependerá do trabalho em Brackley. O planejamento na Inglaterra (a fábrica que trata da Fórmula 1 fica lá) terá que ser impecável, como foi de 2010 a 2021. Os homens para fazer isso estão lá, agora precisamos estudar a fundo essa decepcionante temporada e entender por que esta equipe perdeu tanto terreno.
FOTO: social Mercedes-AMG Petronas F1