MotoGP, ‘segurança’ de Portimão: comboios de cascalho chegam ao circuito

Portimao Circuit 2023

A queda de Fabio Di Giannantonio durante o primeiro dia de testes de MotoGP em Portimão causou polêmica. Pecco Bagnaia e outros pilotos já tinham levantado o problema da gravilha nas margens do circuito português, os organizadores não tomaram providências apesar das promessas. Ou melhor, eles mudaram alguma coisa, mas apenas na primeira curva após a reta. Camas de cascalho surgiram nos últimos dias,

O acidente nos testes de pré-época do MotoGP

Na pré-temporada no Algarve Fabio Di Giannantonio caiu na curva 7 batendo forte no cascalho e foi levado ao hospital, onde foi diagnosticado com uma concussão. Nada particularmente preocupante, ainda que tenha de faltar ao segundo e último dia de testes, já que foi considerado ‘incapaz’ pelos médicos do circuito. O piloto da Gresini queixou-se duramente das condições nas zonas de escape, apresentando sinais de desgaste no capacete após o acidente. Os seixos que compõem os leitos de cascalho eram muito grandes, em vez de seixos com diâmetro máximo de 15mm, havia pedras do tamanho de um punho. Foi imediatamente ecoado por Aleix Espargaró, sempre muito atento à segurança em pista: “Estamos reclamando há mais de três anos, mas até agora não fizeram nada“.

Pedras misturadas com seixos

Recordamos que a pista de Portimão entrou no calendário do MotoGP desde 2020, no ano da emergência Covid, altura em que não foi possível sair do continente europeu. Desde então, tornou-se uma parada regular, com os pilotos sempre reclamando do cascalho irregular. Além disso, a camada de paralelepípedos deve ter 25 cm de altura. “Quando você bate nessas pedras, é mais doloroso do que bater no asfalto – havia acusado ‘Diggia’ após a queda -. Escorreguei deitado no asfalto e assim que cheguei ao cascalho senti uma explosão. Quando minha cabeça bateu no cascalho, desmaiei. Basta olhar para o capacete arruinado, nunca vi nada igual, é incrível

Obra em andamento em Portimão

Os dirigentes do Circuito Internacional do Algarve correram para o reinício para o arranque do campeonato de MotoGP. Eles adquiriram milhares de toneladas de cascalho em apenas alguns dias, com um orçamento financeiro não incluído nos orçamentos. Há quase uma semana que os trabalhos decorrem, dezenas de camiões chegaram e distribuíram a brita, desta vez regular, nas zonas de escoamento. Os insiders também aproveitaram os intervalos entre as sessões de testes de Moto2 e Moto3. O novo responsável de segurança da FIM, Tomé Alonso, vai inspecionar o andamento das obras nas próximas horas, atentando-se também para a pintura dos meios-fios: “Deve-se garantir que os regulamentos sejam seguidos ao erguer leitos de cascalho“.

foto Valter Magatti