Adeus Giovanni Di Pillo, a primavera começa com você

Giovanni Di Pillo

Giovanni, para mim, era como o sol, o vento, a chuva. Isso sempre esteve lá. Quando criança, nas primeiras vezes em que pus os pés na sala de imprensa de Mugello, ele já era “Giovanni Di Pillo”. O locutor do circuito e o correspondente das mais importantes televisões privadas da Toscana. Ele não era um repórter típico, ele era diferente. Um histrion, alguém que atraiu a atenção de todos. Às vezes, até ofuscou os campeões. Muito menos colegas.

Em 1976 comentou a primeira edição do GP da Itália em Mugello no circuito. A vitória de Barry Sheene, à frente de Phil Read e Virginio Ferrari. Tem sido um épico desde aqueles tempos, mas ele ainda recentemente se lembrou de cada detalhe de sua primeira vez. Para o público era uma instituição e seu despertador a cem mil do microfone do circuito, na manhã do GP, entrou para a história do automobilismo: “Olá Mugellooooo…” Todos gostaram, até convidados estrangeiros. A BBC, ou seja, a TV de maior prestígio do mundo, já lhe havia dedicado uma extensa reportagem. Tinham ido visitá-lo em sua casa, em Bagno a Ripoli, o belo jardim de Florença. A correspondente ficou tão fascinada pelo carisma de Giovanni que o chamou de “o Pavarotti da Motocicleta”.

Nossas vidas e carreiras tocaram mil e mil vezes, especialmente nas bordas das pistas do Mundial de Superbike. Era a nossa grande chance: eu escrevi, ele pintou ultrapassagens e rivalidades com sua voz inimitável, do microfone do La7. O jogo do destino queria que ele comentasse algumas das safras mais bonitas da virada dos anos 2000. Permanece um mistério por que um profissional tão bom, que aceitou mil desafios profissionais, vencendo todos, nunca foi chamado para comentar o Campeonato Mundial, nas TVs mais importantes. Talvez porque ele era bom demais, ele teria ofuscado muitos.

Giovanni Di Pillo não era palestrante, nem mesmo jornalista. Ele foi muito mais do que um contador de histórias, porque criou o show, assim como os pilotos da pista. Na verdade, os pilotos o respeitavam, como se fosse um deles. Às vezes ele os provocava, costurando apelidos de quadrinhos neles. James Toseland, um grande campeão que tocava piano, tornou-se “Giacomino”. Ele, o gélido filho de Albione, não entendia bem o porquê, mas gostou. Tanto que se tornou um “Jack” até para os fãs britânicos. Em Mugello, depois de Sheene, acompanhou no pódio, entre outros, Mike Doohan, Valentino Rossi, Casey Stoner, Jorge Lorenzo: gigantes. Ele, microfone na mão, segurou a cena e aplaudiu. Eram para os campeões, mas também um pouco para ele.

Depois de Fabrizio Pirovano, que faleceu em 2016 aos 56 anos, DiPi também nos deixou cedo demais. Superbike, uma aventura esportiva memorável, construiu sua própria lenda graças a pessoas e personagens como esses. Que tiveram o grande dom de poder falar ao coração das pessoas, fazendo-as se divertir e sonhar. O motociclismo, intenso em seu sentido amplo, perde um grande profissional. Mas acima de tudo a um grande amigo. De mim, de todos.

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