Uma enxurrada de pilotos sonha com o Campeonato Mundial de Superbike, e alguém até paga pelo assento para encurtar a estrada. Em vez disso, Gabriele Giannini, 20 anos, operário da construção civil até poucas semanas atrás, não quer saber disso. A equipe Puccetti, uma das equipes satélite da Kawasaki Europe, havia estendido o tapete vermelho para ele substituir o ex-campeão mundial Tom Sykes, que após quatro rodadas desastrosas preferiu retornar à BMW. A ZX-10 R no momento certamente não é a melhor Superbike da praça, até Sua Majestade Jonathan Rea parou de vencer. Mas Giannini corre de graça no Troféu Nacional, que é uma série semi-amadora. De Misano em diante, ele teria a oportunidade de entrar no Olimpo das motos de produção. Com engajamento e opção de renovação automática para 2024. “Está tudo feito, só faltam as assinaturas que vamos juntar na próxima semana” Manuel Puccetti nos disse na última sexta-feira no início da manhã. Giannini tinha confirmado. Mas algo deve ter dado errado…
A reviravolta
“Só falei com o Giannini duas vezes, mas gosto dele, vamos deixar ele crescer aos poucos” Puccetti havia apontado. A equipe da Emilia descobriu e lançou o Toprak Razgatlioglu. Agora ele está criando Can Oncu, uma das perspectivas mais interessantes no berçário do Supersport. No entanto, durante o fim de semana tudo ficou preso entre equipe e piloto. “Infelizmente não fechamos, Giannini me disse que não se sente preparado para o salto do Troféu Nacional” O próprio Puccetti nos disse no sábado, 20 de janeiro. “Eu, por outro lado, teria investido com prazer nisso. Também oferecemos um salário a ele, sabendo que economicamente ele não está ganhando dinheiro. Ele tinha em cima da mesa uma tabela de prêmios por corrida e posição final no campeonato, além da opção por lconfirmando Próximo ano, vinculados a resultados ao seu alcance. Não ter aceitado tal proposta é uma loucura. Acho que ele foi mal aconselhado pelas pessoas ao seu redor, por sua equipe atual. Alguém deve ter colocado medo de se queimar nele.
Como você explica?
De fato, vista de fora, a situação é grotesca. “Nunca ouvi um piloto dizer ‘não estou com vontade’, então não acho que seja a bolsa dele” aponta Puccetti. “Suponho que foi mal aconselhado por aqueles ao seu redor, principalmente pelo dono da equipe com a qual ele corre agora.” Giannini compete no Troféu Nacional com a Pistard, uma formação nascida recentemente, mas que já conquistou a confiança da BMW Itália. O piloto anda de graça, mas está rodeado de pessoas de alto nível, como Rossano Innocenti que, como supervisor técnico, foi responsável anos atrás pelos sucessos da BMW nos Campeonatos Mundiais de Superstock e Superbike.
“No domingo passado, em Mugello, conheci Giannini e o dono da equipe (que também atua como gerente do motorista, ed), ele me assegurou que estava muito feliz por esta oportunidade que estava sendo dada a Gabriele. Mas depois sublinhou que nessa altura, sem Giannini, a sua equipa teria fechado, que sem Giannini não teria continuado. O piloto que estava na frente arregalou os olhos. Talvez ele tenha se sentido excessivamente fortalecido por essa declaração. Sei que muitas pessoas, mesmo simples entusiastas, o encorajaram a aceitar. Mas evidentemente a pressão de quem colocou o medo de falhar sobre ele teve mais efeito sobre o piloto”.
E agora?
“Para nós, o assunto está encerrado” aponta Puccetti. “Nos próximos dias veremos quem levar, mas não vejo muitos pilotos válidos por aí. Para minha equipe, a chegada de Giannini provavelmente foi mais um risco do que a oportunidade de uma vida, mas teria sido uma boa história, acreditamos nela”. A equipe Reggio não tem soluções “interno”porque Lucas Mahias vai continuar a correr no Supersport até ao regresso de Can Oncu lesionado em Assen.
Giannini continuará a correr o troféu nacional com a BMW. Ao que tudo indica, para o ano é candidato à subida ao CIV, mas a distância até ao Mundial é estelar. Neste momento, as equipas de Superbike estão à espera da evolução do mercado do MotoGP, porque Arbolino e Acosta virão do Moto2, pelo que dois dos atuais protagonistas estarão livres. Além disso, tem vários caras que estão pressionando do Supersport, sem contar outros que estão brilhando no BSB e outras prestigiadas séries nacionais, inclusive o CIV. Para Giannini, ter outra oportunidade não será um dado adquirido, a menos que a empresa-mãe da BMW esteja por trás da reviravolta…
Jonathan Rea a esplêndida biografia: “In Testa” disponível na Amazon
