Na quarta-feira, 6 de março, não só aconteceram as normais coletivas de imprensa dos pilotos de F1, mas também houve um novo anúncio. A Arábia Saudita apresentou a construção do seu novo circuito em Qiddiya, com a cidade prestes a se tornar a nova casa do automobilismo em solo saudita. Um circuito incrível, com características únicas. Isso nos mostra ainda mais como o Oriente Médio entrou com facilidade no mundo da F1. O problema, se quisermos chamar-lhe assim, é que a Fórmula 1 empreendeu iniciativas de inclusão e que com estas escolhas estão cada vez mais a diminuir ou, pior, a ridicularizar a Liberty Media.
O novo circuito Qiddiya, a nova casa do automobilismo saudita
O novo circuito na Arábia Saudita já havia sido declarado, aliás, era conhecido desde a chegada da Fórmula 1 a Jeddah. Na verdade, em 2021, os organizadores declararam imediatamente que o circuito da cidade de Jeddah era uma situação temporária. Na verdade, eles estavam trabalhando em algo ainda maior. O novo circuito se chamará Qiddiya Speed Track Park e foi projetado pelo designer de circuito Hermann Tilke e pelo ex-piloto Alexander Wurz. A pista será uma das mais longas do campeonato mundial e terá características bem definidas. O sonho é criar uma pista que tenha as melhores características de um circuito permanente mesclado com as dos circuitos urbanos.
A pista terá então muitas subidas e descidas, com uma diferença de altitude que chegará a 108 metros da altura. A curva “The Blade” já causa discussão, visto que se trata de um trecho de frenagem a ser realizado a 70 metros acima do nível do mar, praticamente como se o GP fosse disputado no vigésimo andar de um prédio. Além disso, a curva é totalmente iluminada por LEDs. Outra característica da pista saudita será que não haverá mais arquibancadas normais, mas sim verdadeiros terraços panorâmicos. Isto aumentará significativamente a visibilidade dos espectadores, que também terão um espaço reservado para eventos musicais durante o evento automobilístico. Até o momento, não sabemos quando a instalação sediará a F1, mas acredita-se que isso não acontecerá antes de 2030. Por fim, graças às suas características, o circuito também poderá acolher o Campeonato do Mundo de MotoGP e do WEC.
A Fórmula 1 renunciou rapidamente a todos os seus objetivos
Quantos se lembram do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2020? Muitos e todos se lembram das campanhas lançadas pela Liberty Media em defesa das minorias. Um compromisso que diminuiu cada vez mais e foi cancelado com a aposentadoria de Sebastian Vettel das corridas. A permanência do GP da Arábia Saudita vai então contra esses objetivos e porque essas lutas lá estão canceladas. 25 de março de 2022 é uma data que os fãs jamais esquecerão, pois naquele dia o GP de Jeddah correu grande risco e não por eventos atmosféricos, mas por eventos de guerra. Naquele dia, os rebeldes iemenitas atingiram com um míssil uma fábrica de petróleo da Aramco, a apenas 20 km do circuito.
A F1, seguindo indicações de profissionais e pilotos, queria que o evento fosse cancelado, o risco era muito alto. Nada a ser feito, a Liberty Media e os organizadores sauditas queriam que fosse disputado e, além disso, as autoridades tinham certeza de que ninguém dentro do circuito sofreria qualquer dano. Os de dentro não, mas de fora sim, então enquanto acontecia a corrida a frota aérea da Arábia Saudita atingiu solo iemenita, causando várias mortes. A guerra civil no Iémen começou em 2014 e a Arábia Saudita é um protagonista significativo. A ONU declarou que o Iémen enfrenta uma das crises humanitárias mais graves do nosso tempo, apenas recentemente ultrapassada pela guerra em Gaza. A Liberty Media baixou a cabeça ali, como sempre fez nos países orientais, e depois voltou a levantar a cabeça no Ocidente, onde é inútil fazê-lo dada a mentalidade. Agora este novo circuito estabelece que, tal como aconteceu com o futebol, o dinheiro tem precedência.
Fórmula 1 lutando com problemas emocionais
A Fórmula 1 não é a primeira vez que toma uma iniciativa contrária à forma como pretende se descrever, basta pensar no assento tirado ao piloto russo Nikita Mazepin depois que o exército russo entrou no conflito em Donbass contra a Ucrânia. Uma situação, porém, que não foi respeitada em relação ao israelita Roy Nissany que corre regularmente no campeonato de Fórmula 2 mesmo após o início do conflito em Gaza. Resumindo, a Fórmula 1 que tem boas intenções sempre derrete como gelo ao sol. O GP da Arábia Saudita tem razão para que isso aconteça, não vamos errar, o esporte serve para unir e conhecer novas tradições, mas se elas ficam até ofuscadas, visto que um Las Vegas 2 está prestes a nascer no Médio Leste, qual é o sentido? O mesmo vale para os pilotos Mazepin e Nissany, que merecem correr, até porque o desporto nasceu para unir as pessoas, como nos ensinam as Olimpíadas, criadas pelos gregos por isso mesmo.
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FOTO: Qiddiya social.