O público ficou em êxtase no Ernée, palco da 76ª edição do Motocross das Nações, pelo triunfo incontestado da seleção da casa. A França, liderada pelo novo seleccionador Gautier Paulin, garante o Troféu Chamberlain pela sétima vez (viva anteriores em 2001 e, consecutivamente, de 2014 a 2018) em sua história, dominando a cena e respeitando integralmente a previsão da véspera. Na pista caseira, conduzida por mais de 60 mil espectadores (recorde de 102 mil assistências gerais no fim de semana), os galos Romain Febvre, Tom Vialle e Maxime Renaux completaram a tarefa, trazendo de volta um troféu que estava desaparecido há 5 anos. Um sucesso alcançado à frente da Austrália (em triunfo no Jogo 3 com o Fenômeno Jett Lawrence) e da Itália, com a Maglia Azzurra FMI em terceiro graças a um desempenho superlativo do coletivo assinado por Alberto Forato, Andrea Adamo e Andrea Bonacorsi.
PÓDIO DA ITÁLIA NO MOTOCROSS DAS NAÇÕES 2023
Numa nação que se esperava que fosse difícil para os capacetes vermelhos, a Itália tornou-se protagonista de uma corrida teimosa e colectiva, arpoando o degrau mais baixo do pódio com coragem, determinação e maximizando os erros dos outros. Com uma vantagem de quatro pontos sobre a Alemanha liderada por Ken Roczen (esplêndido 2.º na prova MXGP+MX Open), a seleção dirigida pelo técnico Thomas Traversini garantiu o bronze no Troféu, compensando um sábado complicado e azarado, para diga o mínimo. Alinhando décimos no portão de largada, nossos três porta-estandartes se defenderam admiravelmente. Na corrida 1, o campeão italiano do Pro Prestige MX1, Alberto Forato, terminou em 12º e Andrea Adamo (presumivelmente afundado devido a um erro na segunda volta) em 18º, voltando à corrida pelo pódio a partir da segunda bateria.
O PONTO DE VIRADA NA CORRIDA 2 PARA A JERSEY AZUL
Precisamente na Corrida 2 o novo Campeão do Mundo de MX2 foi autor de uma prestação suntuosa, terminando em 4º a apenas um piscar de olhos de Liam Everts, colocado para a ocasião pela Bélgica no Open com uma KTM 350. Na mesma corrida Andrea Bonacorsi , Campeão Europeu de 250cc em 2023 e substituto do lesionado Mattia Guadagnini, terminou em 8º na primeira corrida com as 450cc. A certeza do pódio para a Maglia Azzurra chegou na bateria final (MXGP+MX Open) com Forato, com ombros largos o suficiente para brigar por muito tempo golpe a golpe com Romain Febvre, oitavo seguido por Bonacorsi décimo primeiro.
TRIUNFO EM CASA PARA A FRANÇA
Com a Equipe dos EUA praticamente implantando seu “Equipe D”devido à indisponibilidade de seus principais pilotos (Eli Tomac se recuperando de lesão, Chase Sexton que se mudou para a KTM e estava indisponível por contrato, Justin Cooper em lua de mel…) sofrendo a vergonha de uma dublagem dupla de Aaron Plessinger e Christian Craig no jogo 3, previsivelmente a França assumiu o “Time dos sonhos“. Na Corrida 1 Romain Febvre venceu Jorge Prado, após um duelo emocionante e intenso, com Maxime Renaux por sua vez (terceiro na Corrida 3) vencedor da segunda bateria. Somam-se a esses resultados as colocações de Tom Vialle, melhor geral entre os pilotos de MX2 presentes, retornando à sua terra natal depois de uma temporada de estreia no Motocross/Supercross estrangeiro com altos e baixos.
ELES DESPERDIÇAM OS OUTROS NACIONAIS
Em termos de equipa, a França quase correu sem adversários pela liderança, também graças a vários erros dos porta-estandartes das seleções que disputam o pódio. A Alemanha, capitaneada pelo superlativo Ken Roczen, perdeu o bronze devido ao golpe de Simon Laengenfelder no início da Corrida 2. Um duplo erro do desajeitado Ruben Fernandez (que caiu nas duas mangas em que participou) e a atuação impalpável de Oriol Oliver negaram o pódio à Espanha, um pouco como a Suíça, que só foi salva pelas façanhas de Jeremy Seewer.
FENÔMENO DE JETT LAWRENCE NO MOTOCROSS DAS NAÇÕES
O segundo lugar também é seguro para a Austrália, como no RedBud 2022 impulsionado por aquele fenômeno chamado Jett Lawrence. Na primeira corrida, após uma queda na segunda volta, ele se recuperou da 35ª para a última sexta posição, abrindo então uma vantagem para a terceira. Tendo ultrapassado facilmente Roczen na sétima volta, o #1 da temporada inaugural do SuperMotocross e invicto em sua estreia no National 450 (22 baterias vencidas em 22) decolou, pelo menos quebrando a hegemonia de sucessos nas corridas da França. Um sucesso que reafirma o nível (inalcançável de qualquer um) do australiano de 20 anos, entre os protagonistas de uma nação memorável para os anfitriões e, com pleno mérito e título, também para a Itália.