Quando a Superbike se parece com a F1: é assim que funcionam os pit stops

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Jonathan Rea, Superbike

Jonathan Rea voltou ao sucesso na Superbike após 22 corridas em jejum com uma estratégia perfeita de troca de pneus na primeira etapa em Phillip Island, na Austrália. Você deve ter notado pela TV que as operações nos boxes não são tão febris como na F1, mas os técnicos da equipe levam com muita calma. Isso porque o regulamento é diferente, o tempo de parada é imposto pelo regulamento e não há necessidade de pressa. Então, como Rea fez a diferença? Por dois fatores específicos. Entretanto, o timing com que escolheu o momento certo para trocar os pneus de chuva, que se deterioravam rapidamente na pista já quase seca. Em segundo lugar, a precisão com que a equipa Kawasaki controlou os tempos de entrada e saída das boxes, explorando o “janela” concedida pelo regulamento. Veja como funciona.

O pit stop “controlado”

Na Superbike é proibida a segunda moto, pelo que em caso de alteração das condições do asfalto não é possível fazer flag-to-flag como no MotoGP, mas os pneus têm de ser mudados. Para evitar o uso dos caros sistemas de liberação rápida usados ​​no Endurance, e também por questões de segurança, o tempo de parada é definido por regulamento. Não é fixo, varia de acordo com a extensão do pit lane de cada pista. Em Phillip Island, o pit lane tem 549,90 metros de comprimento, para o qual foi imposto um tempo de viagem de 33 segundos, a ser adicionado aos 30 de duração mínima da parada efetiva. Ou seja, os pilotos não podem demorar menos de 63 segundos entre as leituras de tempo organizadas ao entrar e sair do pit lane. Se a operação for muito rápida, há penalidades. Assim, a habilidade das equipes é fazer com que toda a operação dure exatamente como planejado: nem mais nem menos.

Undercut de Jonathan Rea

O ex-campeão mundial entrou no pit lane na volta 9 de 22, seguido por Toprak. Era o momento perfeito, pois a diferença de desempenho entre os pneus de chuva e os slicks começava a ser perceptível. Bautista parou uma volta depois, pagando cerca de dez segundos rebaixo, ou seja, a diferença de desempenho entre as duas soluções. Alex Lowes, que liderava o grupo no molhado, entrou duas voltas depois. Desta forma, Rea livrou-se do piloto da Ducati, que terminou em quinto aos 19 segundos, e de seu companheiro de equipe Lowes, que terminou em terceiro com bons 15 segundos, de uma só vez. Toprak, copiando a estratégia de Rea, acertou em cheio. Mas, no caso dele, os seis segundos extras que a Yamaha desperdiçou na reentrada, na troca de pneus e na operação de saída foram fatais.

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